Eu não costumo questionar as coisas e a natureza delas, o que elas representam.
Mas há algo que me questiona, e me incomoda.
Por que ou por quem eu tenho segurado o fôlego? Qual a razão que me faz caminhar sobre o asfalto, areias, águas e peles, e insistir em perseguir o acaso? Por acaso eu tenho me tornado o que sou?
Eu tenho sido o arquiteto do meu próprio amor e das casas vizinhas. Cada detalhe é constantemente reavaliado quando o assunto é projetar, idealizar. O problema é que não sobra tempo para fazer morada. Alguém me disse uma vez "não idealiza, pois no momento em que se cria a expectativa corrompe-se o que deve ser vivido." Não com essas palavras. Mas disse. Nunca ouço.
"Viva o momento". Não vivo.
"Viva o hoje como se.. etc, etc.. " Esse não sou eu.
Eu construo o meu destino, arquiteto os meus acasos. E os alicerces que sustentam toda essa estrutura são coisas que vivi e que pretendo vivenciar.
"Eu meço a altura do tombo, e passo Agosto esperando Setembro."
Não quero o trivial, nem paixões medíocres.
Não quero o amor como elogio educado, nem castrá-lo pelo comodismo ou por exibi-lo como o carro do ano.
Eu quero o incomum e imperfeito, mas o quero vivo. Sem vida, o amor não sopra.
E se não houve tempo para habita-lo, paciência.
Em algum lugar entre o acaso e o planejado é onde construirei o meu castelo.
"Eu desenho a forma das nuvens e então as observo."
(Haja folêgo.)
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